Fim de namoro, de paixonite ou um caso qualquer, que seja. O fato é que restaram mágoas e uma pitada ainda resguardada de amor. O que deve ser posto em prática agora é o tão sofrível desapego, que tentei cultivar quase que à força, correndo sem olhar pra trás, linha reta para não cair. Vestígios rasgados pra não querer voltar, desprendimento pra seguir em frente. Aparentemente, fui bem sucedida. Pus-me a andar, confiante sem temer distrações. Tentei, tentando.
Entre uma e outra tentativa frustrada, escorriam lágrimas dos meus olhos. Elas eram reflexos de tudo o que não pude dizer, gritar, expôr. Procurava entre olhares, personas e roupas parecidas e agradecia a cada vez que saía e não via a sua presença. Orei pela a sua ausência, sendo franca. Ou fraca. Pedi que meus olhos não cruzassem aos seus, nem seu cheiro exalasse em mim. Inconscientemente, antes de sair porta afora de casa, eu vestia a minha melhor roupa com aquele colar que havia me presenteado - em um passado em que éramos enganosamente felizes. Não sei se escolhia a dedo meus acessórios para me auto-enganar de que não queria encontrar-te por aí, ou simplesmente para me auto-flagelar.
De tanto não querer, querendo, estancada estou agora. Bem no meio das impossibilidades um do outro, dois estranhos, compartilhando muito mais que experiências passadas. Que coisa, veja só, a gente se olhou... E se viu. Nesse momento me veio em mente uma frase, do notável Lord Byron, em que dizia que "a recordação da felicidade já não é felicidade, mas a recordação da dor ainda é dor". Penso que ele estava certo. Penso também que por isso se faz urgente que transforme nossos maus momentos, nossos desafetos, as injustiças em que fui submetida, as traições que você me aplacou e o amor que explanavelmente foi-me negado em perdão.
Não perdoar para silenciar o ser. Não perdoar a fim de que outrem fizesse o que você havia me feito. Não perdoar para gritar a sociedade o quão forte e orgulhosa eu era. Não perdoar com a objeção de que ninguém faz isso comigo e sai ileso. Não perdoar porque sei que sou mais eu e não preciso submeter-me a isso. Não perdoar para tentar ser feliz sozinha. Não perdoar porque, utopicamente, não necessito mais das migalhas que me foram ofertadas. Não perdoar com o único proposito de obter o seu arrependimento.
Perdoar porque conforta o meu ser. Perdoar independente da postura do mundo. Perdoar porque serei mais feliz. Perdoar na infeliz tentativa de que será diferente - e você já havia me prometido isso. Perdoar independentemente da postura do autor da ofensa. Perdoar porque meus dias serão mais claros em contrapartida aos dias cinzo a que eu havia sido negligenciada. Perdoar porque não sou uma pessoa de guardar rancores, mas porque sou do bem. Perdoar porque me tornará mais sensível e você verá a minha tentativa e não mais fará isso.
Mas aí vem uma amiga e diz: É possível conseguir o perdão, mas não reativar o amor. Dizia isso de forma convicta.
Mas, o que a gente não sabe, o que a gente sequer supõe, o que a nossa alma não consegue distinguir é que perdão já é amor.

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