sábado, 5 de maio de 2012
Imperfeitamente perfeito
Perfeição. Talvez seja isso que ao longo da minha vida eu tenha buscado em outro alguém. Pura ilusão, modo exato para que se alcance uma - esperada - decepção. Se falava alto não servia. Se não respondia sms também não tinha permissão a caminhar junto a mim. Imaginem a quantidade de dor, de lástimas, tanta ira e tanta mágoa que carreguei por esse infeliz objetivo. Mal conseguia distinguir luz de treva. Arrisco-me a dizer: não foi fácil. Se nem sempre é assim tão simples amar quem nos ama, imagine então amar quem tudo faz para não merecer sequer um aceno. E o que me encanta mesmo são os detalhes. Detalhes que posso afirmar de boca cheia: são raros, e de tão simples, os homens nem percebem.
Conheci um moço e segui com o mesmo pensamento. A minha sorte, é que esse parecia ser do jeito que eu buscara incansavelmente. Possuía jeito e atitudes de homem, sorriso e olhar de menino. Nunca sumiu por horas, tratava-me igual frente aos amigos. Presentes caros, jóias, viagens internacionais? Que nada. Têm atitudes tão mais simples que valorizo - e muito. Tirava o meu cabelo do rosto enquanto conversávamos e como conversávamos... o assunto perdurava por horas. Todos os dias eram repletos, únicos e diferentes.
Deu-me flores e aliança de compromisso. Escrevia textos incríveis feito para mim. Falava a toda hora o quão era o seu amor por mim, abraçava-me e dizia querer-me sempre ao seu lado - caminhando juntos. Mesmo com o passar do meses o beijinho de esquimó continuava sendo dados, o cuidado era ainda maior: sempre me colocava do lado de dentro da calçada, ou puxava-me pelo braço em forma de alerta quando atravessarmos a rua sem olhar direito. Tudo a mil maravilhas, do jeito que eu sempre quis.
Em uma noite combinamos de ir a uma festa. Arrumei-me toda, como de praxe, e você me olhou, pegou em minha mão e disse: estás linda. No desenrolar da festa, você já havia bebericado o terceiro copo de cerveja. Eu que sempre gostei muito de dançar, convidei-te e ouvi um: "Não sei dançar". Confesso que fiquei um pouco desanimada, triste até. Tive que me recolher e ficar de canto. E aí, me veio em mente todas as minhas exigências do passado. Aquilo não podia estar ocorrendo; até então, havia me provado todas as suas perfeições. Por que isso agora?
Antes de dormir, um pouco desnorteada, coloquei-me a pensar. O medo do erro, amedrontada por possibilidades remotas, pela covardia de quem achou que seria mais sábio se deixasse a vida correr sem correr atrás dela... E esse segredo tão íntimo, tão preso a objeções feitas num passado incabível, tão decrescente de tudo, tão esquecido e tão lembrado, evocado em momentos de fuga e nostalgia (como esse de agora), nos deixa a resposta de que ninguém é perfeito. E comecei a achar aquela história de não saber dançar dele, divertidíssima. Constatei: era amor. Havia começado a amar até mesmo os defeitos que ele possuía. E passei a ver aquele detalhe como sendo uma peculiaridade especial dele.
Amar é um constante aprendizado que nos ensina a viver, conhecer e conviver tanto com as qualidades quanto aos pecados da pessoa escolhida por nosso coração. Quem disfarça defeitos não merece ser amado por inteiro. E quem reclama deles não merece ser amado de verdade. E eu deixado em negrito e sublinhado: os seus defeitos são irrisórios frente aos milhões de qualidades que você carrega junto a si. Meu homem dos traços, desenhado e esculpido para mim. Peço que fique, do jeitinho que você é. Carinhoso, sincero e sem saber dançar. Prometo que te ensino.
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